sábado, 25 de julho de 2009

ESTRELA deCADENTE

... "Em um belo dia chuvoso de verão"... ele se descobriu insatisfeito, indeciso, meio ou completamente sem rumo. A vida, que ele sempre sonhou como uma bela aventura cujo final era fabuloso e perfeito, agora mostrava seu lado obscuro. Seus olhos já não eram mais verdes cintilantes, sua barba (com alguns fios brancos de cor gelo, combinando com seu atual espírito) caminhava livremente pelo seu rosto, seu cabelo bagunçado propositalmente tornou-se sem jeito de qualquer jeito, seu corpo já não era tão vivaz... Sua juventude perdida entre bebidas e cigarros e algo mais esqueceu o rock. Desejou num suspiro intenso e fervoroso voltar atrás e fazer diferente a sua vida. O tempo não volta, ele percebeu isso. Mas continuou a desejar, não lhe restava nada mais. Tentou juntar seus cacos espalhados pela estrada, mas ela era longa e eles estavam muito pequenos para serem colados. Não havia mais jeito. O passado, ele sentiu, é irremediável. Chorou, cruzou os mares... Quis perder-se no azul infindo. Desistiu. Lembrou do gostinho azedo e doce de balinha de morango que quando criança sem culpa ele provou... Quis sentir de novo. Até que percebeu que o melhor não era lamentar, e, sim, transformar o próximo dia em um sorriso. Pensou um muito e viu que sua vida, até ali, tinha sido como as chuvas de verão: intensas e devastadoras (sorriu, nunca foi fã desses ‘clichês’). Não queria mais isso, não, não! Precisava de certezas que lhe trouxessem a segurança que nunca teve. Sempre pensou que o grande segredo da felicidade fosse o mistério do amanhã e a loucura do hoje. Ainda achava que o mistério fizesse parte desse tal segredo, só não acreditava mais que ele precisava ser descoberto por meio de insanidades. Ele desejou a mistura da melodia presente em batidas do rock que tanto amou com as letras de um blues do qual já até debochou. Desmascarou-se, perdeu toda a pose e descobriu-se. Tomou decisões. Recomeçar, mesmo que do zero, era uma delas. Sua vida ainda não havia acabado e ele precisava tentar! Não havia como apagar seus erros, mas seguir em frente e fazer dos tempos seguintes o melhor que pudesse parecia-lhe um bom caminho. E foi isso que fez, foi vivendo, viveu mais. O amanhã continuou sendo um mistério que só no próximo dia ele descobriria, completamente imprevisível. Mais viveu.

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